E de repente eu desperto mais uma vez pela madrugada de sábado para domingo, não me interessa mais as noitadas como há anos atrás, que por esta altura eu poderia estar ainda alto noite afora. Este é um texto aleatório sobre uma volta na madrugada. São umas 4 da manhã, meio frio, mesmo janeiro e verão, mas estamos em Curitiba. Sinto um pouco de fome e me levanto para ir num destes postos 24 horas. Não quero gastar muito, então vou de pão de queijo mesmo e um refri pequeno. Na hora de pagar um sujeito alcoolizado me pedindo de forma deseducada alguma moeda, nego seu pedido. Entro no carro e ligo o rádio, um No Ceiling de Eddie Vedder está tocando, música rara de ser ouvida feita para um filme raro, de um protagonista mais raro ainda. A música é curta e pega pela metade só atiça minha vontade. Ela acaba e pego o celular, coloco a mesma música no Spotify, mas logo ela acaba novamente fazendo jus a sua curta duração (menores frascos, melhores perfumes), mas eu a seleciono de novo, e enquanto isso, do Tarumã parto paro o Barigui. Teimo em atravessar a cidade para ver o amanhecer no parque, as músicas que se sucedem não me interessam tanto mais. Lembro de alguns anos ter tirado uma bela foto lá no parque em seu amanhecer, mas daquela vez era um frio realmente de inverno. Sem nenhum tratamento da foto, com um celular qualquer, ela saiu incrivelmente num tom de roxo, com os prédios de fundo. Hoje gostaria de ao menos presenciar algo belo. Deveria ir dormir talvez, mas estou acordado o suficiente para voltar para casa. Chego no parque por volta das 5 horas e ainda não há sinal de que o sol esteja acordando. Chego na entrada do parque pela estrada que tem rumo aos Campos Gerais. Ao entrar pelo estacionamento vou me aproximando do parque de diversões, contorno o estacionamento e entro pelo acesso de carros. Contorno o centro de eventos e parece que o parque em toda sua escuridão pertence somente a mim, mas quando mal ultrapasso a lanchonete que se situa entre a pista de corrida e a rua de carros, logo avisto um casal correndo. Olho para o relógio, poucos minutos a mais de 5 horas, penso como o casal é empenhado, penso em quando voltar para casa fazer uma corrida matinal pela avenida Victor Ferreira do Amaral, no Tarumã. Mas logo, esta ideia se desfaz, para hoje não vai dar. Logo à frente avisto carros estacionados e concluo que realmente eu não era momentaneamente “o dono do parque”. Continuo e vou pela aquela estradinha em zigue zague “por dentro” da floresta que faz fronteira com o parque. Continuo em frente e subo para encontrar um outro posto 24 horas. Compro uma bebida, volto ao parque e desta vez sim sou brindado com o amanhecer. Com uma coloração diferente do roxo do inverno, desta vez é um céu mais límpido. A visão da lagoa com as mansões do outro lado e os prédios por traz e enfim o céu soberano. A sensação boa de estar morando numa cidade única e bela como Curitiba toma conta de mim. Dou aquela clássica volta pelo parque, beirando as mansões. Retorno lá no final, e volto para casa passando pelo Largo da Ordem. Sou testemunha do amanhecer da cidade. Chego em casa e vou fumar um pouco de cachimbo, sem não antes encontrar um besouro em meu quarto, destes que brilham. Em pesquisa pela internet logo vejo seu significado espiritual, meio que estou nesta viagem no momento. Interessante: renovação, transformação. Li também que o besouro tem um significado espiritual importante para os egípcios e para o xamanismo. Ou como o próprio site diz, pode ser algo somente da natureza, ele aconselha analisar o contexto. Analisar o contexto? Bom, acho que sempre estou em transformação, em renovação, ainda mais neste clima de janeiro, ano novo. Mas de qualquer forma não seria um sinal negativo. Não fico tão entusiasmado, vou lá fumar meu cachimbo, pegar um livro pra ler ouvindo uma música.

É domingo, churrasco seria bom, escrever um texto, por que não? Tanto tempo que não escrevo nada, sei lá, foi isso o que saiu.

Texto de Janeiro de 2026


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