O que será que algumas almas vieram fazer na Terra? A de Arthur Rimbaud com certeza veio elevar o nível, veio abalar as estruturas numa vida breve. Veio para que os homens esquecessem por algum momento de suas vidas ordinárias. Nem ao menos que seja pela leitura de um livro, e viajassem nem se for pelas páginas de um livro.

Estou finalizando a leitura de uma pequena biografia de bolso sobre a vida de Rimbaud escrita por Jean-Baptista Baronian e fico impressionado da vida levada pelo biografado. De espírito rebelde e aventureiro, Arthur foi a personificação da busca incansável por diferentes povos e culturas numa época de poucos recursos tecnológicos, de transportes ou de comunicação.

Aventuras de Um Homem Livre Em Três Continentes

Abrangendo Europa, Ásia e África, suas aventuras nos revelam uma tenacidade de aço para enfrentar os inúmeros problemas e circunstâncias adversas, sendo brindado por todo a cultura pelo caminho, pelos animais exóticos e povos excêntricos.

Uma vida levada fora de qualquer paradigma e dogma vigentes à época, os quais ainda muitos persistem aos nossos dias. Rimbaud foi o que posso chamar de homem livre. De uma infância prodígio, escreveu seus poemas até somente a idade de 19 anos, desapegando de todo o status que poderia buscar para si próprio. A vida chamava-o para mudanças e o poeta era demasiado inquieto para se estabelecer num só lugar ou viver de um só ofício.

Um Jovem e Um Legado

O fato é que o legado de Rimbaud viria a mudar o mundo de forma sem igual, influenciando inúmeros movimentos e artistas do século XX. Somente uma alma desapegada aos resultados poderia tal façanha. A naturalidade do ser sempre nos brinda de expressões autênticas da alma humana.

Francês, poliglota, e de extrema cultura, Arthur, nascido no interior, chacoalhou a Paris do século XIX. Chegou a ser pessoa não bem vinda em alguns círculos sociais. Sua poesia é de difícil entendimento, pelo menos para mim, para aquelas as quais obtive acesso. Mas sua figura me foi cativante e fui em busca desta pequena biografia para ao menos ter uma ideia deste ser humano que um dia por esta Terra aqui passou.

Sempre na Estrada, Sempre Em Mudança

Suas andanças pela Europa, facilitadas pela capacidade de aprender vários idiomas, nos revelam alguém que veio para não se submeter ao status quo. Suas aventuras são uma crescente de todo tipo de dificuldades, medo e coragem, variados tipos de trabalho, passando também pela ilegalidade. Pelo caminho conhece inúmeros tipos de figuras, passando por cidades que eu nunca tinha ouvido os nomes. 

Sua vida toma uma crescente de acontecimentos tão fora do padrão que fica difícil não se envolver pelo humano que está ali pelo sol às vezes de 60 graus, em meio a todo tipo de dificuldades, longe de casa, e não entrar em reflexão sobre quão acomodados estamos em nossa vida cotidiana. Os grandes sempre perseguiram por caminhos tortuosos, abrindo trilhas para seus sucessores sem não antes pagar um preço tremendo, mas provando por meio da integridade que se faz grandes feitos e tem como responsabilidade assumir seu ser.

Se Tornar Uma Lenda, Um Preço Alto a Ser Pago

Um preço alto, Rimbaud em certa altura do livro está cansado, de espírito e físico, com tremenda vontade de ter uma família e algo mais bem estabelecido, nos moldes sociais aceitáveis. Não para menos, sua alma e corpo foram judiados, mas com extremo caráter continuou sempre adiante. A dúvida faz parte de alguns momentos da vida dos homens, dos que buscam a dúvida se faz constantemente presente.

Nesta parte da leitura é compreensível Rimbaud quase se entregar, sua vida foi fantástica e com quase nenhuma garantia de se tornar uma lenda, não por momento, ele continua, pois sua missão é simplesmente ser ele mesmo, estava preso a sua liberdade, a ser um ser humano acima de quaisquer ideias rígidas, e o preço a se pagar por pensar por si próprio é simplesmente a responsabilidade de ser livre.

Um Final Agonizante, Uma Vida Para Sempre Ser Lembrada

Nos capítulos finais somos capazes de sentir a agonia de Rimbaud numa narração de fatos que assustam ao ler. Quase que a todo momento espera-se que ele se vá e de certa forma possa se sentir finalmente aliviado. Sua perna fora amputada, e entre uma esperança e outra Rimbaud acaba indo também aos 37 anos, sem não alguns dias antes ter encontrado a irmã e a mãe que não as via por 10 anos e que por certo aliviaram seu espírito.

Uma vida intensa, talvez com poucos paralelos na história da humanidade. Saiu do palco da vida para permanecer em ideias nas mentes dos que buscam e as encontram em alguma estante por aí. E por que não em algum texto?


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