Influências Literárias
Hesse

Sidarta foi o primeiro livro que me conectei de forma espiritual. Foi aquela questão de alma, concordando com praticamente tudo que li. Já são mais de 16 anos desde a primeira leitura, reli-o há uns dois anos atrás e confesso que não lembrava mais de certas partes do livro, o entusiasmo não foi o mesmo, mas mesmo assim foi muito válido relê-lo. Obviamente que um jovem de 21 anos, na época da primeira leitura, se deixara envolver com mais intensidade pela narrativa. O tempo se encarrega de novas percepções.
O romance é sobre um brâmane que sai de todos os seus confortos em busca de repostas. Descobrindo em sua caminhada dores e o amor. Sábios. Extremos. E por fim conclui que na totalidade das coisas reside a sabedoria, e que cada ser precisa caminhar a sua estrada e não somente a teoria de um suposto sábio. Eu acredito nesta definição pois para mim no total é que nos conectamos e somos inseparáveis. Também vejo a teoria sendo um meio possível de nos direcionar, mas nunca o fim, talvez uma ajuda.
Muita parecida com a história de Sidarta Gautama, o Buda histórico. Sidarta inclusive encontra-o em suas andanças, o reconhece como o Perfeito, e após um tempo segue em sua caminhada, com a convicção que a iluminação só poderia ser encontrada sendo mestre de si mesmo e não até o fim da vida seguir um único mestre ou qualquer mestre, mesmo estes sendo reconhecidamente iluminados.
Em minha interpretação, Hermann Hesse é seu próprio Sidarta. Ou seja, o personagem principal do livro encontrando o Buda, seria o próprio Hesse encontrando a obra budista ou suas experiências durante o tempo que morou na Índia, mas não se fixando somente nestas experiências e obras. Absorveu seus ensinamentos e seguiu, como o Sidarta do próprio livro.
E nos deixando também a lição que nada está completo, a vida é uma sucessão de percepções.
