Estamos no mês de setembro, o mês dedicado a conscientização da importância da saúde mental e prevenção do suicídio. Esse mês recebeu o nome de Setembro Amarelo. Com este texto, tenho por objetivo ajudar a contribuir para a conscientização do cuidado da saúde mental pela visão de um cidadão/paciente. De forma breve e bem resumida falo de minhas experiências tanto com terapias (psicólogos (as)), quanto com a necessidade de medicação (psiquiatras).
Terapia – Uma Necessidade Humana Na Visão de Um Paciente
Minha primeira experiência com terapia foi no ano de 2005. Tinha meus 17 anos e estava naquele processo de vestibular. Tinha alguns problemas familiares, tal como a normalidade. E acredito que de tanto mais teorizar em minha mente, refletir e pouco agir comecei a notar que bem provável não haveria minha aprovação para a universidade federal, a qual era o meu foco, logo na saída do terceiro ano.
Estava também numa fase de muitos questionamentos, minha adolescência dos 14 à metade dos 17 anos foi quase que totalmente introspectiva. Salvando momentos que praticava esportes ou estudava, minha mente se ocupava em reflexões. Isto veio também a se tornar um acúmulo mental, culminando numa depressão.
Tudo estava se tornando estranho, não só minha energia mental, uma baixa de autoestima e baixa de motivação, como também uma crise existencial. Passei a não entender mais qual era a diretriz a seguir. Criei, momentaneamente, uma aversão à televisão. Pensamentos negativos cresciam em minha mente. Então o inevitável era a necessidade de buscar uma ajuda profissional.
A Melhora Com a Terapia e a Expansão da Minha Visão de Mundo
A terapia não durou muito tempo, em torno de somente três meses. Neste tempo foi o suficiente para que eu pudesse reorganizar muita coisa em minha mente. Me desliguei do tratamento e segui minha vida. Acredito realmente que houve uma expansão de consciência em todo este processo. Primeiramente as reflexões sinceras que busquei por toda a adolescência, após o mal estar mental e por último o tratamento psicológico.
Então a vida tomou um novo contorno, mais expandida, com o hábito da reflexão e agora com uma atitude mais aberta perante ao mundo. Como se a criança Carlos voltasse para enxergar o mundo com a felicidade típica da infância e não tanta seriedade de uma adolescência introspectiva. Senti naquele momento que algum grau de inteligência emocional havia tomado conta de mim. Antes, eu era extremamente rígido, acreditando que ser correto era necessariamente ser sério.
Daquele momento em diante passei a ver a vida com mais flexibilidade. Entendendo que a terapia havia contribuído para me encontrar.
Uma Nova Fase – Mais Terapias
Os anos se passaram, novas experiências e tudo isto me levou à mais uma etapa da minha vida que necessitou de acompanhamento de uma profissional na área de saúde mental. Aos 24 anos, e desta vez se estendendo por mais tempo até meus 26 anos, fiz um acompanhamento psicológico. Desta vez a depressão realmente foi mais profunda, a crise existencial mais forte, mas com a ajuda profissional, entre altos e baixos, fui novamente normalizando. Desta vez é inevitável enfatizar a necessidade da terapia nesta fase da minha vida.
Em outras fases da minha vida realizei novas terapias, vindo somente aos 33 anos apresentar uma fase mais crítica, mas não tão forte como em meus vinte e poucos anos.
Terapia – Uma Companheira Próxima
A terapia me foi uma companheira a partir dos meus 17 anos de vida. Defendo este tipo de intervenção na vida de qualquer ser humano, seja por necessidade ou por uma questão de busca por autoconhecimento.
Entre as terapias realizadas, fiz terapia cognitiva comportamental e uma terapia mais longa de abordagem junguiana. Importante salientar a necessidade de se adaptar ao tipo de terapia e ao terapeuta. Em todas as minhas realizadas tive a felicidade de ser atendido pelos profissionais ideais para o momento. Houve, obviamente, pontos divergentes durante as sessões, mas nada crítico.
Medicação – Uma Necessidade Para Alguns Pacientes
A medicação é algo que assusta muitos pacientes de terapia. Primeiramente que a medicação é prescrita por um(a) psiquiatra, um(a) profissional na área de saúde que pode vir a assustar num primeiro momento, sendo um dos motivos o fato do senso comum ter uma ideia equivocada dos pacientes que necessitam de tal profissional. Mas se necessário for, o melhor é aceitar o quanto antes esta condição e expandir o tratamento com a medicação.
Eu tenho uns bons anos de experiência de tratamento com medicação. Já houve um período que tentei ficar sem a mesma, sem a aprovação da Doutora que me atendia, mas eu insisti em tentar. O tempo mostrou não ter sido uma boa ideia. Desde então venho fazendo uso da medicação novamente.
Nem todos que fazem terapia precisam de medicação, mas é importante frisar que se precisar utilize. O importante é agradecer a oportunidade de tratamento, e somente o tempo dirá até quando ser necessário, sendo cada paciente um caso específico.
Objetivo Deste Texto
Eu não sou um profissional da área de saúde, mas aproveitando que estamos no Setembro Amarelo, somente tenho como objetivo de escrever este texto para fazer um breve relato de um cidadão/paciente que necessitou e pode vir a necessitar de terapia novamente. Também salientar a importância da medicação psiquiátrica. E também ajudar a diminuir um certo estigma que tem em relação aos problemas de saúde mental.
Buscar ajuda profissional não é vergonhoso, nem fraqueza. Se conhecer cada vez mais na caminhada da vida é uma atitude não só inteligente e corajosa, mas necessária.
“Conversar pode mudar vidas” – Tema Setembro Amarelo 2025

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