Hoje gostaria de falar de um ser humano ímpar, questionador, contestador e demasiado sensível. O escritor alemão Hermann Hesse, vencedor do prêmio Nobel de 1946.

Um Espírito Rebelde

Hermann Hesse foi um daqueles seres que não se curvaram perante as circunstâncias. Seus pais o queriam direcionar para a carreira de missionário, assim como o Hesse pai, mas Hermann demonstrando desde a adolescência um espírito rebelde e inquieto, questionando tudo ao seu redor, não aceitou o direcionamento escolhido pelos pais.

Ainda em breve idade teve o resultado de ter uma mente por vezes caótica, aquela que não para e está sempre com um fluxo de muitas ideias. Colapsou em meio a tantas reflexões e necessitou de atendimento especializado. Hesse viria a ter uma ligação estreita com a psicologia, fazendo uso da mesma ao ser atendido por um discípulo de Jung. Em nossa época que ainda buscamos quebrar os estereótipos negativos de pacientes da saúde mental, buscando eliminar qualquer estigma, o escritor alemão demonstrou extrema dignidade e coragem ao aceitar ser um paciente para cuidar de questões desta natureza. E o mais importante, não se esconder.

Meu Primeiro Contato com Hesse: Sidarta

Confesso não ser um grande conhecedor da obra de Hesse, em meus 21 anos li Sidarta e minha mente simplesmente expandiu, sendo um livro único para mim. Até hoje nenhum o superando em questão de entusiasmo com a leitura, no máximo igualando-o. A empolgação tomou conta do meu ser, e não acreditando que poderia ter encontrado um tesouro daquele, eu continuava a leitura do mesmo com um sorriso escancarado no rosto. Creio ter finalizado ele em menos de um dia. Reli-o depois de 14 anos, a empolgação não foi a mesma, a memória de muitas passagens do livro também não se encontravam mais em minha mente.

Hesse, o Amigo

Tive uma ou outra nova percepção. Mas o que levo para mim, antes de qualquer ensinamento, foi o sentir daquele momento. Eu finalmente tinha encontrado alguém que falava diretamente para o Carlos de 21 anos. Tinha encontrado um amigo, como disse o próprio escritor: “Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo”. Este alguém me era estranho no dia anterior, já daquele momento em diante viria em meus pensamentos com uma frequência alta. Não precisei muito compreendê-lo, mas sim compactuar firmemente com suas ideias. E sim, por último, fiz dele, não só do livro, mas de Hermann Hesse um amigo.

Demian e Outros Encontros

Corri logo para a biblioteca da Universidade onde estudava na época. E fui logo de encontro para a prateleira em que se encontrava outros livros do autor. Sem muito hesitar peguei e emprestei Demian. Confesso que sua leitura não me surpreendeu como a de Sidarta. Não falava, digamos assim, diretamente com minha alma. Pouco de suas passagens ficou impresso em mim.

Tenho a consciência que somente Sidarta e Demian são poucos livros perto do vasto universo de Hermann Hesse, mas foram os que por primeiro tive contato.

Os anos se passaram e eu fui comprando tudo de Hesse que eu veria pela frente, principalmente em sebos. Adquiri títulos importantíssimos da obra do autor, como O Lobo da Estepe e O Jogo das Contas de Vidro, os quais é necessário confessar vergonhosamente que preciso embarcar em suas leituras, somente fiz investimentos tímidos para com os dois.

Além, destes citados, comprei livros não tão famosos, livros de contos e um livro de pensamentos e máximas.

A Surpresa em 2022

No ano de 2022, sem nenhuma expectativa de encontrar nada novo de Hesse, eis que me deparo em uma livraria com o título A Unidade por trás das contradições, um livro que faz uma análise pelo ganhador do prêmio Nobel de algumas religiões centrais do mundo. Aquilo quase explodiu meus olhos, e a inevitável vontade de comprá-lo tomou conta de mim. O universo das religiões sempre me encantou e sempre busquei ter uma mentalidade de abertura e compreensão para com todas.

Um Autor na Minha Memória

Hoje lembrei de Hesse, mais uma vez, lembrarei sempre, ainda tenho muito a conhecê-lo e minha expectativa de coisas boas e insights é alta, mesmo sabendo que expectativas nem sempre são sábias, lembrando que sabedoria era tão emanada por Hermann Hesse.

Quero estrear minhas publicações neste espaço com Hermann Hesse, acredito ser justo, será o meu obrigado por tudo.    


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