É muito fácil perceber quando alguém está forçando alguma ação, habilidade ou interesse. Um pouco mais difícil talvez seja reconhecermos que todos nós fazemos isso, é do ser humano e não somente dos “outros”. Aquela tal de forçar a barra ou forçando a amizade. Acredito que os mais maduros têm um algo a mais, um fazer com naturalidade.
Talvez seja de todos nós em algum momento da vida, na busca por nos encontrarmos vamos testando e algumas atitudes soam forçadas, talvez devido a algumas dificuldades momentâneas, talvez devido a uma oportunidade que queremos agarrá-la, mas de certa forma ainda não estamos preparados. Creio que o importante seja sempre buscar a melhora, sempre estar em preparo antes que possa aparecer alguma oportunidade irrecusável, e eu acredito que aparece, em algum momento ela aparece.
“Iluminadas”?
Algumas pessoas emanam uma energia acima do normal, acima do padrão, acima da média. Se se moldaram assim desde a infância, ou talvez sejam “iluminadas” já não sei dizer, sei dizer que há essas pessoas que nos inspiram.
Lembro do meu pai, sempre o vi sorrindo, aliás esta é uma das características dele, sua marca. Quando eu era criança, meu pai voltava do trabalho sempre sorrindo, a vida parecia fácil. Eu nunca tive do que reclamar em questões de acesso a recursos, não digo luxo, mas recursos para uma vida confortável. Meu pai fazia parecer ser tudo fácil. Ele prezava pelo bem estar da família, e já tem uns bons anos que imagino como ele deve ter lidado com momentos a sós que envolviam reflexões e desta forma não trazer uma carga negativa para a família. Houve problemas em casa? Obviamente. Mas meu pai sempre prezou pelo nosso bem estar em primeiro lugar, antes de externalizar algum mal estar que poderia ter carregado ou provavelmente carregou durante todos estes anos.
A Tal da Naturalidade
Eu costumo dizer que meu pai fez com naturalidade. Por mais difícil que foi sua luta, sua subida, seus desafios, meu pai fez com naturalidade. Emanava aquela classe, aquela felicidade, aquele poder do carisma. Não sou fã incondicional de meu pai, temos nossas diferenças, não quero romantizar nada, mas há pessoas assim no mundo. Pessoas que fazem com a tal naturalidade.
É como que se nascessem para o trabalho que realizam. Como se nascessem para liderar a família que construíram. Mas, além de tudo, como se nasceram para estar confortáveis na própria pele. As reclamações, as discussões, os momentos ruins são mínimos perante o todo que se passa numa vida ou família. Conforme cresci e fui amadurecendo isso foi se tornando cada vez mais perceptível para mim.
Meu pai é um desses poucos. Desses seres humanos que fizeram e fazem com classe. Que superam muito suas falhas e evidenciam seus dons. Escolhem a visão coletiva e não o egoísmo de um individualismo doentio. E digo aqui individualismo não como a expressão de sua individualidade ou busca por individuação, mas sim como focar somente em si próprio.
Forçar Algo
Forçar algo, forçar ser o que não se é, forçar buscar ter. Tudo isto para mim soa uma desconexão de mente-alma-físico e creio que vale mais a simplicidade do que forçar manter um status que gera um enfeito desastroso, somente para manter as aparências.
Já pensei e concluí que nem sempre consegui ser como meu pai. Houve fases de tentar ser o que não era para mim. Tentar buscar provar ao meu ser que conseguiria, mas havendo um desgaste sobre humano em algumas situações, pelo simples fato de estar querendo buscar algo desconexo com minha alma.
O Gosto Pelo Pensar
Paixão aliada com resiliência e tudo mais que já nos aconselharam faz de nossa caminhada algo mais belo, faz de nossa presença seres mais conscientes e por inteiros. Faz de nós um pouco mais naturais. Busco hoje em dia ir mais devagar, pela maturidade adquirida e pela questão óbvia da natureza humana. A vida fez de mim um ser pelo gosto de pensar, se sou bom nisso ou trago algo relevante não me gera preocupação que possa me paralisar. A partir do momento que busco verdadeiramente a reflexão sincera e busco transmiti-la com respeito, penso que não cabe mais a mim como ela será recebida. Faço por paixão, acima de tudo necessidade. E nestas reflexões concluí que vale mais o simples bem feito, do que o ornamentado que às vezes pode ser gerado por um custo duvidoso.
Não quero dizer com isso tudo para fugirmos do difícil, tentar evitar a todo custo o stress que são gerados no crescimento ou fugir da melhora, mas sim abandonar a necessidade de provar a si mesmo ou ao mundo algo que somente às vezes é um mero status quo e não seu ser natural, não seu verdadeiro dom ou alma. A busca pela nossa verdadeira alma vai nos levar com certeza ao profundo e ao clímax em algumas situações, mas é bem diferente e preferível passarmos pelo deserto e nos encontrarmos com nossos EUs da vida do que nos moldarmos como peças rígidas do sistema, somente para manter as aparências.
Faça Com Naturalidade
Faça, mas faça com naturalidade, que isso se torna classe, se torna o belo que fluí constantemente. Se isso lhe enriquecer, lhe trazer uma vida acima da média em várias esferas, bacana. Se não trazer algo que “brilhe” aos olhos de terceiros, não há problema, pois acredito firmemente que o importante é sentir a própria alma brilhar, sentir a energia da conexão do seu ser com o ambiente. Sem muita racionalidade. Sentir-se verdadeiramente natural, sem a prisão da aprovação, mas sim a liberdade de ser quem realmente se é.

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