O Caminho do Meio

Gostaria de refletir sobre a ideia deste título aí acima: O caminho do meio. Sempre me pego pensando nesta ideia que Sidarta Gautama nos trouxe após sua busca espiritual. Vejo, na prática, como esta ideia sempre acaba sendo necessária. Nos esportes, nos estudos, no trabalho, nos relacionamentos, na alimentação, em qualquer busca que você tenha, acredito eu, é necessário um equilíbrio.

Pouco li sobre a vasta literatura búdica, mas entre algumas ideias que me marcaram, a do Caminho do Meio não somente me marcou, mas acabou me parecendo muito óbvia, porque realmente é isto que a vida pede. Óbvia, mas que não é fácil percebê-la em fases que a vida é mais imatura, muito menos colocá-la em prática. Talvez seja uma tarefa para a vida, ir buscando o equilíbrio.

Meu Entendimento da Ideia

Vou refletir conforme meu entendimento da ideia. Para começar, acredito que cada ser tem que fazer o balanço do seu Caminho do Meio, do seu equilíbrio. Cada esfera da vida pede seu equilíbrio, em algumas somos mais flexíveis e corajosos, em outras um pouco mais rígidos ou reservados.

Ao meu entender, buscar equilíbrio está ligado diretamente à nossa capacidade de sermos abertos às experiências. Não sabemos ao certo qual nossa capacidade de exposição ou de suportar alguma ação sem a experiência. Como sairemos em alguma atividade sem vivê-la. A cada nova atividade ou ação nova em nossa vida é normal que vamos “testando o terreno”, assim para sentirmos como nos encaixamos à princípio nesse terreno. Uns desistem rápido, outros se dão bem de primeira, mas a média é ir se ajustando em qualquer nova ação da vida, e também ir ajustando a vela naquelas esferas que já navegamos há tempo.

Uma Onda Senoidal

Penso no Caminho do Meio como uma onda senoidal, com seus sobes e desces, e não na ideia que seja linear. Mas penso também que cada ser tem a sua onda senoidal, uma para cada esfera da vida. Alguns encontram o equilíbrio em esportes radicais, outros numa busca de intensa leitura, ou nos dois talvez, entre outras infinitas atividades da vida. Mas importante, penso eu, é cada ser focar na sua onda, na sua crista e vale, no quanto consegue ir e vir, o quanto consegue suportar. Somos humanos, iguais e diferentes em proporções nada exatas e creio que a grande viagem de buscar o Caminho do Meio é buscar o seu caminho do meio, no seu tempo e necessidade.

Cada Ser Tem Um Caminho do Meio

Fórmulas prontas, não é assim que deve funcionar ao meu ver. O médico sabe que para cada paciente tem um estudo específico e seu relativo diagnóstico. O professor deve conhecer os limites e potencialidades de cada aluno. Nos esportes coletivos, o técnico extraí o máximo da capacidade de cada jogador da equipe, e assim por diante. Ao meu entender, cada ser tem um caminho do meio.

Deste modo, penso que o Caminho do Meio não é uma receita pronta e sim um método a ser aplicado e que nos cobra talvez todos os dias.

Uma Experiência Própria

Quando mais novo, na faixa dos 20 anos, eu queria suportar toda dor de cabeça que sentia, como se eu fosse me fortalecer ou ganhar alguma resiliência mental. Ledo engano, quando eu tinha uma nova dor de cabeça era o mesmo transtorno de sempre, intensificado pela minha teimosia. Comecei a fazer a “mágica” de tomar o tal do remédio, em poucos minutos tudo se resolvia. Aprendi por uma experiência própria, eu praticava algo desnecessário e sem resultado algum, assim com o tempo mudei minha atitude perante tal situação. Não vamos conseguir testar tudo na vida, mas isso foi algo que me recordo e sempre que estou indo muito para algum extremo, me lembro em me recolocar mais para o meio.

A ideia é muito ampla e se leva uma vida para praticá-la, pois cada fase tem seu equilíbrio e esferas. Então continuemos.


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